quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A alma infantil

                            A alma infantil

A alma infantil , nos diz Cecília Meirelles, como aliás, a alma  humana,
não se revela jamais completa e subitamente, como uma janela que se abre
deixando ver todo um cenário.
É necessário ter cuidado para entendê-la,  e  sensibilidade  no  coração
para admirá-la.
A autora nos narra que, certa vez, ouviu o comentário de uma  professora
que, admirada, contava sobre alguns presentes recebidos de alunos seus:
Os presentes mais engraçados que eu já recebi de  alunos,  foram,  certa
vez, na zona rural:
Um, levou-me uma pena de pavão incompleta: só com aquela parte  colorida
na ponta. Outro, uma pena  de  escrever,  dourada,  novinha.  Outro,  um
pedaço de vidro vermelho...
Cecília afirma que seus olhos se alargaram de curiosidade,  esperando  a
resposta da professora sobre sua compreensão a respeito de cada  um  dos
presentes.
A amiga, então, seguiu dizendo: O caco  de  vidro  foi  o  que  mais  me
surpreendeu. Não sabia o que fazer com ele. Pus-me a revirá-lo nas mãos,
dizendo à criança:
"Mas que bonito, hein? Muito bonitinho, esse vidro..."
E procurava, assim, provar-lhe o agrado que me causava a oferta.
Ela, porém, ficou meio decepcionada, e, por fim, disse: "Mas esse  vidro
não é para se pegar, Não... Sabe para que é?
Olhe: a senhora põe ele assim, num olho, e fecha o outro, e vai ver  só:
fica tudo vermelho... Bonito, mesmo!"
A professora finalizou dizendo que esses presentes  são,  em  geral,  os
mais sinceros.  Têm  uma  significação  muito  maior  que  os  presentes
comprados.
Cecília Meirelles vai além, e busca ainda fazer uma análise  de  caráter
psicológico:
O que me interessou,  no  caso  relatado,  foram  os  indícios  da  alma
infantil que se encontraram nos três presentes. E os  três  parecem  ter
trazido a mesma revelação íntima:
Uma pena de pavão incompleta - reparem bem -, só  com  aquele  pedacinho
"colorido" na ponta, uma pena de escrever "dourada" novinha, e  um  caco
de vidro "vermelho" são, para a criança, três representações de beleza.
Três representações  de  beleza  concentradas  no  prestígio  da  cor  e
desdobradas até o infinito, pelo milagre da sua imaginação.
Essas três ofertas, portanto, da mais humilde aparência (para um  adulto
desprevenido), não devem  ser  julgadas  como  esforço  entristecido  da
criança querendo dar um presente, sem ter recursos para comprar.
A significação de dinheiro, mesmo nas crianças de hoje, ainda é das mais
vagas e confusas.
E sua relação de valor para com os objetos que a atraem é  quase  sempre
absolutamente inesperada.
Eu tenho certeza - diz a autora ainda - de que  uma  criança  que  dá  a
alguém uma pena dourada, uma pena de pavão e um caco de vidro  vermelho,
os dá com certo triunfo.
Dá com certa convicção de que se está despojando de uma riqueza dos seus
domínios, de que está sendo voluntariamente grande, poderosa, superior.
A infância não é somente útil, necessária, indispensável, mas é,  ainda,
a conseqüência natural das leis que Deus  estabeleceu,  e  que  regem  o
Universo.
Com  ela,  aprendem  os  Espíritos  que  reencarnam  -  mais  dóceis   e
influenciáveis quando no estado infantil.
Aprendem também as almas  que  as  cercam,  colhendo  desse  período  de
inocência e magia o exemplo da pureza e da  simplicidade  de  vida,  que
devemos todos encontrar em nosso íntimo.

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