A BÊNÇÃO DE SER MULHER:
Há muitos anos as mulheres lutam pelos seus direitos, e vêm conseguindo inegáveis avanços. Para que, hoje, possamos votar, trabalhar e usar calças jeans, muito sutiã
teve que ser queimado em praça pública. Hoje, no auge de nossas independências, somos diretoras de grandes empresas multinacionais, engenheiras renomadas, grandes
cirurgiãs, artistas, e ainda somos mães, esposas e, é claro, estamos sempre belas, depiladas e com os cabelos hidratados. Somos as donas das nossas próprias quitandas,
pagamos nossas contas de luz e do salão de beleza. Não temos que dar satisfações a
ninguém, somos inteligentes, cultas, e ainda sabemos escolher a cor do esmalte.
Sim, somos as tais. Somos o que há de contemporâneo, de avançado, super heroínas do dia a dia que se desdobram em mil para atender às nossas próprias
exigências,
e as da sociedade. Ninguém quer, afinal, menosprezar tanta luta, tanto sacrifício, tanto tempo querendo provar que podemos ser o que bem entendermos. Sou mulher.
Se quiser sair, eu saio; coloco um salto alto, um decotão e vou pra balada,
ninguém pode comigo. Se quiser ficar em casa, de moleton assistindo TV com meu cachorro,
eu fico também, ninguém tem nada com isso. Posso, inclusive, me dar o luxo de comer uma caixa inteira de trufas de chocolate assistindo um filme, porque depois quem
vai pagar a conta do spa sou eu. E isso SE eu quiser ir pro spa, porque se eu bem entender que quero uma bunda cheia de celulite, parecendo mais um queijo suíço,
também é problema meu. Não preciso de nenhum homem pra me dizer como devo ou não devo ser.
Ah, sim. Os homens. Eles existem, ainda, em nossas vidas. Mas hoje temos uma relação diferente com eles. Eles não são mais nossos donos, senhores de nosso destino.
Alguns são nossos brinquedinhos, nossos play grounds. Sexo casual, one night stand, e daí? O problema é meu, muita mulher lá atrás teve que provar sua sexualidade
para que, hoje, eu possa fazer da minha o que eu bem entender. Aliás, se eu quiser perpetuar a minha espécie e fazer uma miniatura de mim mesma, nem preciso me relacionar
com um homem. Posso ir a um banco de esperma, pagar uma quantia que, sim, é cara, mas o dinheiro é meu, e pronto. Em nove meses, serei mais uma adepta da maternidade,
sem precisar passar por toda aquela chatice encontros e relacionamentos. Somos tão donas de nossos narizes bem cuidados com seções de limpeza de pele mensais que
podemos, inclusive, optar pelo caminho contrário. Se quisermos ser donas de casa que cozinham para seus maridinhos, mães superprotetoras que correm do supermercado
para o colégio dos filhos para o balé da filha para o futebol do filho para o inglês das crianças e...ufa! Ainda tem que ir no banco pagar as contas. E controlar
as despesas de casa. E garantir a harmonia do lar. E ter certeza de que os filhos estão sendo bem educados e o marido está feliz. Não é mole não.
Somos as rainhas da cocada preta. E sabe o que é triste? Na grande maioria das vezes, isso é somente aos nossos olhos. Valorizamos cada conquista, cada meio centímetro
percorrido a caminho da independência porque ela é nossa. Mas para os homens, para muitos deles, ainda somos, somente, mulheres. Seres difíceis de se entender. Ferozes
quando estão na TPM, essa época do mês que eles, simplesmente, não entendem o caos interno que os hormônios enlouquecidos provocam. Se optamos por cuidar da casa,
somos submissas e temos que responder a eles. Se colocamos a carreira em primeiro lugar, somos frígidas sem coração. Eles podem priorizar a carreira. É coisa de
macho ganhar dinheiro. Nós não. Se damos no primeiro encontro, somos fáceis demais, indignas de uma ligação no dia seguinte. Se nos resguardamos, estamos nos fazendo
de difíceis. Sexo é coisa de macho. Mulher não goza. Se queremos curtir a vida sem compromissos, somos vadias sem noção que só pensam em baladas. Se queremos namorar,
somos neuróticas que só pensam em casamento. Temos que lembrar de tomar a pílula anticoncepcional todos os dias, religiosamente no mesmo horário. Afinal, se ficarmos
grávidas numa relação casual, a culpa é nossa, que não nos cuidamos, que queremos dar o golpe da barriga. Somos aquelas que geram a vida, que dão à luz, que fazem
crescer um outro ser. Mas isso não é mágico, não é bonito. Isso é obrigação. Mulher que não é mãe não é uma mulher completa. Ainda apanhamos, é verdade. Literalmente
ou não. Muitas de nós morrem todos os dias, fruto da violência doméstica, da mão pesada daquele parceiro que escolhemos para amar. Morremos
também de pouquinho em
pouquinho com agressões verbais, descasos, desinteresses. Não é mole, não.
Quem por nós? Nós mesmas. Quem contra nós? Todo resto. Feminismo já é chato, vitimização mais ainda. Sutiãs não precisam mais ser queimados. A sexualidade não precisa
mais ser conquistada. Os direitos a trabalhar e a votar, também não. Isso tudo já foi alcançado. Acima de tudo, conquistamos o livre-arbítrio. Escolhemos nossas
escolhas. Pelo que lutar agora?
Lutemos pela dignidade reconquistada. Pela coragem de nos queixarmos dos maus tratos. Pelo fim do massacre do que nos resta de mais precioso: nosso feminino, nosso
lado fêmea que quer gritar, que quer justiça para aquelas de nós que perdem a vida em represas, em sítios, em qualquer esquina desse país. Quanto tempo mais ficaremos
esperando? Não proponho feminismo. Não proponho nenhum tipo de superioridade. Proponho denúncia, atenção e ajuda mútua. Igualdade. Gênero é muito mais do que sexo.
É atitude.
Amigas, li esse texto em um blog que gosto de acompanhar. Então decidi compartilhá-lo com vocês. Não pensem que o enviei
À todas as mulheres de minha lista de contato, pois só mandei para aquelas a quem admiro. Vocês todas são mulheres arretadas. Espero que gostem.
Beijinhos!
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