segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A esperança na vida das pessoas

A ESPERANÇA NA VIDA DAS PESSOAS:

Eu tenho uma desconfiança de que uma das causas básicas da loucura é a
ausência completa da esperança.
Porque está comprovado que a causa básica do suicídio é a ausência mais
completa da esperança.
E quando o desesperado não consegue suicidar-se por qualquer razão,
entre tantas a falta de coragem, ele acaba enlouquecendo.
Isso tudo porque quando a gente passa pela rua e vê aquela multidão indo
e vindo, o que a move é, em última essência, a esperança.
O que leva as pessoas à frente é a esperança.
Até mesmo as pessoas felizes circunstancialmente têm a esperança de que
continue sua felicidade - ou de que, se ela se for, retorne em outra
oportunidade.
Os crentes de todas as religiões nutrem a esperança de serem acolhidos
no reino dos céus, de encontrarem-se em outra vida com seus profetas e
com Deus.
Apenas, no caso dos crentes, a esperança tem outro nome: fé. Mas a fé é
a base de todas as religiões. Por ela, os fiéis têm a certeza de que
serão salvos, que estão no único caminho certo. E isso os anima na vida
e os faz diferentes das outras pessoas desnorteadas ou repletas de
dúvidas.
As mulheres jovens se incendeiam na esperança de virem a ser mães. E as
mulheres que já foram mães têm como única razão de vida a esperança de
que seus filhos se realizem e sejam felizes.
O cadete tem esperança de vir a ser coronel, o soldado de vir a ser
sargento, o taxista de vir um dia a deixar de ser empregado e vir a ser
proprietário de um táxi.
É imprescindível a esperança na vida das pessoas. Nem que seja a
esperança de vir a ter esperança.
A capacidade de pensar de um cérebro, de pulsar de um coração e de
manter-se ereto e movimentar-se de um corpo dependem da esperança.
Quando não houver mais esperança, a pessoa desiste e morre. Ou
enlouquece, é o meu palpite, porque a ciência ainda não identificou bem
a causa da loucura.
Eu aposto que é a ausência mais completa da esperança.
Por isso é que Chesterton, um dos maiores pensadores modernos, disse
"que louco é aquele de quem tiraram tudo menos a razão".
E o que quis dizer Chesterton com isso? Que foram tiradas tantas coisas
de uma pessoa, todos os seus encantos, sonhos, haveres, afetos, crenças,
a esperança, todos os seus valores, destroçaram-na e decepcionaram-na
tanto, que acabou sobrando-lhe só a razão. Sozinha, ela também soçobrou
e deu lugar à loucura.
A pessoa virou nada porque a razão não sobrevive sem os fatos.
Os fatos é que muitas vezes se desenrolam desastradamente sem a razão.
Toda a energia do homem deriva da esperança, isto é, da convicção, da
certeza ou até dúvida de que poderá vir a ser feliz.
Como já expliquei outra vez, em face de que a felicidade, por ser
efêmera, não existe, o dever do homem, em última análise, é procurar vir
a ser menos infeliz.
Mas mesmo não podendo vir a ser feliz, porque a felicidade não existe, o
homem obviamente sobrevive sem a felicidade.
Mas não tem nenhuma chance de sobreviver sem a esperança de ser feliz.

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