quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A banalisação do amor

A BANALISAÇÃO DO AMOR

Amor, palavra presente em tantas canções; sentimento instrumento de tantos poetas; dom inexplicável e gratuito dado por Deus, o próprio Amor, aos homens.
Sim, é exatamente sobre ele que quero ousar tecer alguns comentários.
Quem de nós nunca ouviu certa canção cujos primeiros versos trazem as seguintes afirmações: ?Eu sei que vou te amar; Por toda a minha vida, eu vou te amar;...
Desesperadamente, eu sei que vou te amar!
Acredito que na época em que foi escrita esta canção, ao se afirmar tamanho sentimento, o poeta, o cantor de uma serenata, ou um namorado ao dizer tais
palavras, tinham verdadeira convicção do que estavam dizendo e as diziam com muita certeza e intensidade.
Naquela época tinha-se que o amor era mais verdadeiro, mais puro, mais simples, mais suave, mais respeitado... Era por toda a vida, para sempre!
Atualmente, referir-se ao amor tornou-se algo tão banal, tão comum, tão normal!
Acabo de me lembrar de outra música, mais atual onde o poeta, pergunta: ?Hei, hoje em dia, como é que se diz eu te amo?
Repare no primeiro verbo dessa frase: diz, dizer.
Dizer não é simplesmente falar.
Assim como quem só escuta não ouve, quem só olha geralmente não vê, quem apenas toca nem sempre sente, falar, também, não significa dizer.
Os verbos precedentes de cada conjunto de comparações elencadas acima são superficiais, enquanto os que os sucedem são mais profundos, mais intensos e
é exatamente esta profundidade, esta intensidade que estão faltando nas atuais referências ao amor.
Particularmente, acho que tornou-se banal.
Basta-se um primeiro encontro, um primeiro olhar, um mês de namoro, e diversos eu te amo são disparados, sem pensar e sem sentir, em cartinhas, E-mails,
muros e por que não dizer, verbalmente.
Por que será hen? Talvez isto dê certa segurança ao outro? Talvez a letra da canção atraia mais ao público? Amor! Ótima rima em versos jogados ao vento.
Não quero dar a impressão que sou uma saudosista, pois, como pode alguém ter saudades do que não viveu?
Não, não quero que pensem que escrevo sobre coisas passadas, trazendo à tona coisas antigas, haja vista que os tempos mudaram e nós jovens de hoje, somos
completamente diferentes das gerações anteriores.
Entretanto, para mim, o amor, cantado, escrito ou dito, deve ter, sempre, algo mais.
Nesta altura, ouso até discordar de Vinicius de Morais, que, no ?Soneto da Fidelidade?, declara: ?Que não seja imortal, posto que é chama?.
Não, isso não é amor. Talvez paixão! Não sei. O que sei é que chama tende a se apagar, enquanto o amor é eterno.
Prefiro ficar com o amor em sua essência pregado pelo Apóstolo Paulo que, em I Coríntios 13, traz uma das mais belas definições do que seja o amor, ao
dizer: o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, o amor jamais acaba.
É exatamente este amor que se deve resgatar. Um sentimento riquíssimo, repleto de sempre e ao mesmo tempo de nunca.
Um amor que sempre persiste e nunca desiste, um amor que sempre começa a cada amanhecer e nunca termina; um amor que sempre chega e nunca vai embora. Um
amor que jamais acabe , ao contrário, dure para sempre!
O amor deve sim ser exteriorizado. É algo lindo demais para ser omitido, porém, que haja mais intensidade, mais profundidade, mais sinceridade, enfim,
que se diga e que se sinta o que se é dito.
Ah o amor! Correspondido ou não, omitido ou pronunciado, vivido ou esquecido, que faz chorar ou sorrir, que tanto dói quanto cura, de qualquer modo que
se apresente, não deve ser ignorado, pois, até chorar por causa do amor parece ser melhor que por qualquer outra coisa.
O que importa é viver o amor. Não deixá-lo passar.
Ame e viva.
Desejo que o amor se ainda não estiver em sua vida, que quando chegar seja eterno enquanto dure e que possa durar para sempre.
FABIANA APARECIDA SANTOS

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