sábado, 19 de fevereiro de 2011

A dor mensageira

A DOR MENSAGEIRA:

Todos passamos por momentos difíceis vez ou outra na vida. Muitas vezes parece que o mundo se derrama sobre nós com a fúria dos ventos e das tempestades e nos sentimos
levados por uma espiral enlouquecida que derruba tudo ao nosso redor até que nada familiar reste.
Não há como evitar, por mais que tentemos, não podemos evitar os movimentos dolorosos da vida. Como um vulcão, a dor muitas vezes brota de dentro de nós cuspindo
fogo e labaredas. Outras vezes parece um mar em fúria que nos engole com suas ondas incontroláveis. Existe ainda aquela dor persistente que vai nos enlouquecendo
aos poucos, algo parecido com o que sentiríamos se nos sentássemos sobre um formigueiro.
Não importa a natureza do desafio, uma coisa é verdade. Quanto mais resistimos, mais expostos e vulneráveis ficamos!
Seja lá qual for a forma como a dor venha visitar você, receba-a em sua sala de visitas. Sirva-lhe um chá quente e
saboroso. Cuide para que vocês tenham alguns momentos da mais profunda paz. Olhe bem no centro de seus olhos e pergunte-lhe:
- Por que você veio me visitar? O que quer me dizer? - Não tente evitar ou negar a dor. Isso é impossível. Converse com ela. Ouça seus argumentos. Pergunte-lhe
a
razão de sua visita.
A dor é uma mensageira da alma. Sofremos quando insistimos em ficar estagnados. Sofremos quando nos recusamos a fazer um movimento necessário. Sofremos quando resistimos
à vida. A dor é uma mensageira que vem com a missão de nos fazer caminhar, seguir adiante.
Podemos resistir ou nos mover. Quanto mais resistimos, mais dói. Quando nos movemos, deixamos para trás o que nos fazia sofrer até que um dia aquilo se torna uma
lembrança que ganha status de sabedoria.
A dor vem para trazer algo à tona, para nos fazer ver o que nos recusamos a enxergar, vem para abrir nossos olhos, para rasgar nosso coração, para despertar a nossa
consciência. É a alma nos alfinetando porque nos quer mais felizes. Não é uma punição, não é uma maldição, é um ato de amor do Universo tentando nos tornar ainda
melhores do que somos.
Não que esse seja o único caminho de crescimento e transformação, é claro que existem trilhas mais amenas. Mas mesmo nestas, vez ou outra pisamos em um espinho,
topamos com uma pedra ou somos picados por uma abelha irada que teve sua colmeia perturbada por nossa distração.
Assim, quando estiver imerso em algum tipo de dor, evite a tentação de fugir. Plante-se bem no meio daquela sensação, abra os ouvidos e ouça o que ela tem a lhe
dizer. Feito isso,
levante-se, erga a cabeça e mova-se. Evite mascará-la criando falsos estados de fortaleza. Muitas pessoas associam dor a fraqueza e a escondem até de si mesmos.
Fingem
que não estão sofrendo e com isso afastam-se da ajuda possível, aquela que vem da própria dor.
Outro dia eu li que algumas pessoas nascem sem a possibilidade de sentir dor, e que essas pessoas são muito vulneráveis. Imagine se você tiver uma apendicite e
não
sentir nada? Imagine se tiver uma úlcera e não sentir nada? A dor nos protege de nós mesmos. Se seguíssemos sempre em sintonia com os movimentos da vida não precisaríamos
sentir dor. Assim, fique atento sempre que algo for dolorido para você. Reajuste seu caminho logo nos primeiros sinais. Não espere que a dor tenha de se tornar
monstruosa
para que você a ouça.
Quando uma abelha picar você, não a mate, apenas peça que seja mais específica!

Nenhum comentário:

Postar um comentário