quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A galinha vermelha

A galinha vermelha...

Uma galinha vermelha achou alguns grãos de trigo e disse a seus
vizinhos:

- Se plantarmos este trigo, teremos pão para comer. Alguém quer me
ajudar a plantá-lo?

- Eu não! - Disse a  vaca.

- Nem  eu! - Emendou o pato.

- Eu também não! - Falou o  porco.

- Então eu mesma planto! - Disse a galinha vermelha.

E  assim o fez.

O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos dourados.

- Quem vai me ajudar a colher o trigo? - Quis saber a galinha.

- Não faz parte de minhas funções! - Disse o porco.

- Eu não me arriscaria a perder o seguro-desemprego! - Exclamou o pato.

- Então eu mesma colho! - Falou a galinha.

E colheu o trigo ela mesma.

Finalmente, chegou a hora de preparar o pão.

- Quem vai me ajudar a preparar o pão? - Indagou a galinha vermelha.

- Só se me pagarem hora extra! - Falou a vaca.

- Eu não posso por em risco meu auxílio-doença! - Emendou o pato.

- Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão! - Disse o porco.

Ela então assou cinco pães, e pôs todos numa cesta. De repente, todo
mundo queria pão, e exigiu um pedaço. Mas a galinha simplesmente disse:

"Não, eu vou comer os cinco pães sozinha".

- Lucros excessivos! - Gritou a vaca.

- Sanguessuga capitalista! - Exclamou o pato.

- Eu exijo direitos iguais! - Bradou o ganso.

O porco, esse só grunhiu.

Eles pintaram faixas e cartazes dizendo "Injustiça" e marcharam em
protesto contra a galinha, gritando obscenidades.

Quando um agente do governo chegou, disse à galinhazinha vermelha:

- Você não pode ser assim egoísta!

- Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor! - Defendeu-se a galinha.
Ninguém quis me ajudar!

- Exatamente! - Disse o funcionário do governo. - Essa é a beleza da
livre empresa. Qualquer um aqui na fazenda pode ganhar o quanto quiser.
Mas sob nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadores
mais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não
fazem nada!

E todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha
vermelha, que sorriu e cacarejou:

- Eu estou grata! Eu estou grata!

Mas os vizinhos sempre se perguntavam por que a galinha nunca mais fez
um pão, por que após um ano todos morreram de fome, e por que a fazenda
faliu...

"Quando não se valoriza quem trabalha, corre-se o risco de entrar em
falência moral, intelectual, social, econômica e cultural!"

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