quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A grandeza da compaichão

                        A grandeza da compaixão

Algumas das mais lindas histórias da Humanidade podem ser encontradas na
literatura da velha Índia. A que você vai conhecer agora está  no  poema
épico Mahabharata.
Uma grande batalha estava prestes a ocorrer : os  Kurus  e  seus  primos
Pandavas se enfrentariam, dentro de poucas horas.
Mas, instantes antes do início da batalha, os olhos do príncipe  Krishna
pousaram sobre uma avezinha que estremecia diante dos ruídos da  guerra.
Era uma ventoinha.
O passarinho havia feito seu ninho  em  meio  à  grama  alta.  Logo,  os
elefantes e cavalos da guerra esmagariam os  ovinhos  que  abrigavam  os
filhotes.
Os olhos claros de Krishna se encheram de compaixão. Desceu da carruagem
e aproximou-se.
Viu a avezinha que se recusava a abandonar o ninho indefeso. Ouviu  seus
pios desesperados. Observou como ela se debatia, aflita,  adivinhando  o
perigo iminente. Comoveu-se.
Mãezinha - disse Krishna - que bela é a devoção que tens à tua  família!
Que elevada forma de amor há em teu coração.
Buscou então um pesado sino de bronze e, cuidadosamente, cobriu a mãe  e
o ninho.
Conta a História que a batalha foi terrível,  mas,  quando  terminou,  a
família de passarinhos estava a salvo.
Os milênios se passaram e aquele campo de batalha ainda existe na Índia.
E nele se pode ouvir os pios das ventoinhas que ali fazem seus ninhos.
São a lembrança viva do gentil Krishna e de sua compaixão por  todos  os
seres vivos.
* * *
Que lição temos nesta história singela! E  como  podemos  estendê-la  às
nossas vidas.
Compaixão é enxergar o sofrimento do outro, mesmo quando estamos em meio
aos nossos próprios problemas.
Compaixão é uma doce palavra, que torna o coração sensível e está  muito
além de somente comover-se com o sofrimento material de alguém.
É claro que fome, pobreza e doença sensibilizam a alma, mas a  compaixão
também pode ser traduzida pelo  sentimento  de  compreensão  perante  as
pessoas difíceis, pelo perdão a quem nos ofende e maltrata.
Diga-se, a mais difícil forma de compaixão é  tolerar  aqueles  que  são
desagradáveis ou causam prejuízos.
Portanto, a mais séria pergunta é: Como amar os que nos humilham sem nos
tornarmos covardes?
A resposta foi dada por Jesus: Seja o teu dizer sim, sim; não, não. Isto
é: sinceridade, transparência sempre. Mas  tudo  isso  dulcificado  pela
compaixão.
Não se trata de achar que o outro é um  coitado  ou  um  medíocre.  Quem
pensa assim está desprezando a outra pessoa.
O estado de compaixão compreende o próximo verdadeiramente. Não  se  põe
em posição superior a ele. Não o humilha.
A verdadeira compaixão é generosa. Ela entende o momento e as razões  da
outra pessoa.
Um exemplo de gesto de  compaixão  está  em  Jesus:  no  alto  da  cruz,
fustigado por fome e sede, traído pelos amigos, torturado pelos  homens,
ele ergueu os olhos para o Céu.
E pediu simplesmente ao Pai Celeste: Perdoa-os, Pai, pois  não  sabem  o
que fazem.
Não lhes enumerou os erros, mas suplicou para eles o perdão Divino.
Certamente cada um dos que feriram Jesus carregou, durante anos a fio, o
peso do remorso. A Lei Divina não deixou de agir neles.
Mas, enquanto Seus algozes permaneciam na Terra, açoitados pela  própria
consciência, o Cristo seguia adiante, em paz consigo mesmo.
Hoje - pelo menos hoje - pense na grandeza desse gesto e imite Jesus.

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