quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A angústia do estrangeiro

A ANGÚSTIA DO ESTRANGEIRO

Na                       quinta feira, dia nove, entre uma reunião e
outra, o                       empresário aproveitou para ir fazer um
lanche rápido em                       uma pizzaria na esquina das ruas
Yafo e Mêlech George no                       centro de Jerusalém.
O estabelecimento estava                       superlotado. Logo ao
entrar na pizzaria, Moshê percebeu                       que teria que
esperar muito tempo numa enorme fila, se                       realmente
desejasse comer alguma coisa - mas ele não
dispunha de tanto tempo.
Indeciso e impaciente, pôs-se a                       ziguezaguear por
perto do balcão de pedidos, esperando que                       alguma
solução caísse do céu.
Percebendo a angústia do                       estrangeiro, um
israelense perguntou-lhe se ele aceitaria                       entrar
na fila na sua frente. Mais do que agradecido,
Moshê aceitou. Fez seu pedido, comeu rapidamente e saiu em
direção à sua próxima reunião.
Menos de dois minutos após ter                       saído, ele ouviu um
estrondo aterrorizador. Assustado,                       perguntou a um
rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele                       acabara
de percorrer o que acontecera. O jovem disse que
um homem-bomba acabara de detonar uma bomba na
pizzaria
Sbarro`s... Moshê ficou branco. Por                       apenas dois
minutos ele escapara do atentado. Imediatamente lembrou do homem
israelense que lhe                       oferecera o lugar na fila.
Certamente ele ainda estava na                       pizzaria.
Aquele sujeito salvara a sua vida e agora poderia
estar morto.
Atemorizado, correu para o local do atentado para
verificar se aquele homem necessitava de ajuda. Mas
encontrou uma situação caótica no local.
A Jihad Islâmica enchera a                       bomba do suicida com
milhares de pregos para aumentar seu                       poder
destrutivo. Além do terrorista, de vinte e três
anos, outras dezoito pessoas morreram,   sendo seis
crianças. Cerca de outras noventa pessoas ficaram feridas,
algumas em condições críticas.
As cadeiras do restaurante estavam                       espalhadas pela
calçada.
Pessoas gritavam e acotovelavam-se na rua,                       algumas
em pânico, outras tentando ajudar de alguma                       forma.
Entre                       feridos e mortos estendidos pelo chão,
vítimas                       ensangüentadas eram socorridas por
policiais e                       voluntários. Uma mulher com um bebê
coberto de sangue                       implorava por ajuda.
Um dispositivo adicional já estava sendo desmontado
pelo exército.
Moshê                       procurou seu 'salvador' entre as sirenes sem
fim, mas não                       conseguiu encontrá-lo.
Ele decidiu que tentaria de todas as formas saber o
que acontecera com o israelense que lhe salvara a vida. Moshê estava
vivo por causa dele.
Precisava saber o que acontecera, se ele                       precisava
de alguma ajuda e, acima de tudo, agradecer-lhe
por sua vida.
O                       senso de gratidão fez com que esquecesse da
importante                       reunião que o aguardava.
Ele começou a percorrer os hospitais da região, para
onde tinham sido levados os feridos no atentado.
Finalmente encontrou o                       israelense num leito de um
dos hospitais. Ele estava                       ferido, mas não corria
risco de vida..
Moshê conversou com o filho daquele                       homem, que já
estava acompanhando seu pai, e contou tudo o                       que
acontecera. Disse que faria tudo que fosse preciso por
ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe
devia sua vida. Depois de alguns momentos, Moshê se
despediu do rapaz e deixou seu cartão com ele. Caso
seu pai necessitasse de qualquer tipo de ajuda, o jovem
não deveria hesitar em comunicá-lo.
Quase um mês depois, Moshê recebeu um                        telefonema
em seu escritório em Nova Iorque daquele                       rapaz,
contando que seu pai precisava de uma operação de
emergência. Segundo especialistas, o melhor hospital para
fazer aquela delicada cirurgia fica em Boston,
Massachussets.
Moshê não hesitou. Arrumou tudo para que a cirurgia fosse realizada
dentro de                       poucos dias..Além disso, fez questão de
ir pessoalmente                       receber e acompanhar seu amigo em
Boston, que fica a uma                       hora de avião de Nova
Iorque.
Talvez outra pessoa não tivesse feito tantos esforços
apenas pelo  senso de gratidão. Outra pessoa poderia
ter dito 'Afinal, ele não teve  intenção de salvar a
minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila                       '
Mas não Moshê. Ele se sentia                       profundamente grato,
mesmo um mês após o atentado. E                       ele sabia como
retribuir um favor.
Naquela manhã de terça-feira, Moshê foi pessoalmente
acompanhar seu amigo - e deixou de ir trabalhar. Sendo
assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele dia
onze de setembro de 2001. Moshê não estava no seu
escritório no 101º andar do World Trade Center Twin
Towers.
(Relatado em palestra do                       Rabino Issocher Frand)
'Entrai                       pelas portas dele com gratidão, e em seus
átrios com                       louvor;  louvai-o, e bendizei o seu
nome.' Salmos                       100:4

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